Série: Sistêmica Corrupção agride o Mercado Imobiliário - 6ª Matéria: III - Venda por fora clássica

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Série: Sistêmica Corrupção agride o Mercado Imobiliário - 6ª Matéria: III - Venda por fora clássica

Esplendor 17/10/2017 Compartilhar

III -   VENDA POR FORA CLÁSSICA

Esse elemento, além de querer ganhar muito, tem a necessidade de correr perigo. A aventura do negócio ERRADO faz parte de seu ganho final.  Esse corretor mafioso possui tudo estruturado para compor seu plano vil.

Ele tem o ambiente físico (escritório especializado) para operar, o cartório e seu escrevente de confiança, assim como um ágil despachante. Trata-se de uma pessoa intelectualmente bem preparada, que mostrará segurança em sua abordagem, e de fato, possui experiência no tema. É provável que conte parte de sua história, citando empresas por onde passou, cargos que ocupou e tempo em que atua no mercado, criando alguma taxa de atratividade operacional para o negócio. São bem eloquentes, carismáticos e versáteis, como qualquer outro de sua estirpe que atue em outras áreas.

Importante falar que esses mafiosos foram ou até são, case de sucesso!  O que lhes falta é competência, arrojo, liderança e credibilidade, para ingressarem no setor na condição de pessoa jurídica.

Esses PEEFEIROS (termo popular no mercado), procuram negociações onde o seu tempo para término seja curto, ou seja, operações com pagamento à vista. As operações que incluem bancos e agentes financeiros demandam tempo, testemunhas, e nem sempre possibilitam os ganhos de sua comissão integral no primeiro momento, no entanto, não podemos subestimá-los, pois alguns estarão preparados ao nível de terem em sua agência bancária um gerente de sua confiança, para proceder os negócios que sugerem maior complexidade.  Esses são aqueles cuja frieza é comparada a de um serial killer. Falarão invariavelmente em tom baixo, largando intensos sorrisos no decorrer da ação, contando casos de sucessos infindáveis, e dirão, com um olhar reptiliano “fiquem tranquilos”.

Alguns desses, procuram a discrição, não por elegância ou falso ego, mas por mera estratégia, para manterem-se conectados e ligados a uma estrutura empresarial, a sua base sólida para extrair os negócios ilícitos.

Apesar desses ingredientes que geram qualificação para o corretor PEEFEIRO, não podemos esquecer que, se algo der errado, você nada poderá fazer. Como buscar reparações por danos causados por uma pessoa que não tem nada que o responsabilize e que tem a facilidade e a flexibilidade para sumir do mapa rapidamente. OS TRADICIONAIS PEEFEIROS, mudam de mercado com relativa frequência, basta que algo dê errado para eles, ou que sejam descobertos.   Hoje ele trabalha na Tijuca, amanhã no Méier, depois na Barra, Copacabana, e daí por diante.

Não há normalidade alguma em negociar com essas pessoas. Observem que, invariavelmente, o proprietário, assim como o comprador, conheceu este elemento em uma empresa. Pergunto por que motivo não operar dentro da empresa onde os “clientes” conheceram esse ser (corretor corrupto) que lhe apresentou a construção da solução de seu sonho?

Em um primeiro momento, quem sentirá o dolo maior é a empresa que possui seu custo operacional, gera emprego para dezenas de pessoas e paga impostos. Mas destaco com igual veemência, que o prejuízo se estende ao salão de vendas, composto por corretores opcionistas (categoria responsável pela captação de produto) e seus gerentes.

Pense bem e não reclame se algo por ventura der errado, ou mesmo se você comprar um imóvel nessas condições e perceber que conquistou um bem material, mas não conseguiu formar um Lar.

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