Série: Sistêmica Corrupção agride o Mercado Imobiliário - 3ª Matéria: Tráfico de mercadoria (Parte 1)

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Série: Sistêmica Corrupção agride o Mercado Imobiliário - 3ª Matéria: Tráfico de mercadoria (Parte 1)

Esplendor 17/10/2017 Compartilhar

EXPOSIÇÃO DOS FATOS.


I - TRÁFICO DE MERCADORIA - Parte 1

O tráfico de mercadoria nasce com os corretores que defendiam o não aos Contratos de Venda com Exclusividade. Para os respectivos corruptos de carreira, não há nada pior do que se deparar com um produto, cuja excelência do trabalho profissional, se consagra com um Contrato de Promoção de Venda EXCLUSIVO. Produtos Exclusivos, 90% das vezes, não conseguem ser burlados. Dissertarei sobre esse tema (exclusividade) em minúcias, numa matéria próxima. Vejamos como essa pratica criminosa do tráfico funciona em nossos dias.

Basicamente começa com corretores alocados em uma determinada empresa, fazendo contatos com seus comparsas, que trabalham obviamente em empresas contrárias (concorrentes) e dessa forma se cria uma rede de negócios escusos.

Os repasses das mercadorias são formatados através da entrega de uma base de dados contendo as seguintes informações: endereço do imóvel objeto do negócio, nome dos  proprietários, seus telefones, e-mails e endereços, dados técnicos do imóvel e cópias de documentos (RGI e IPTU),  e por último, para identificar o grau de  pureza do produto, repassa-se os valores sugeridos para o negócio imobiliário, expectativa de formas de pagamento e que tipo de comissão está sendo praticada pela empresa (lesada) contratada. Tudo isso é feito sem o consentimento da parte mais importante e interessada na operação, O PROPRIETÁRIO. Esse sistema burla, ferindo por completo, a Linha Ética do Ofício.

Os danos que são causados a partir desse procedimento INQUALIFICÁVEL, afetam negativamente a muitos, criando instabilidade generalizada nas empresas e equipes, todas   vitimadas por esse sistema. Vejamos em minúcias os prejudicados, o porquê, e algumas das possíveis consequências.

Proprietários - Estes são tomados por ligações que chegam sem ponto de origem, convencidos por uma oportunidade lucrativa de negócio. Os mafiosos usam pobres, porém clássicos argumentos.

ENTRADA / FALA (A)

“Meu nome é fulano, sou corretor de imóveis, soube que seu imóvel está a venda através de um amigo e tenho um cliente para comprá-lo”. Nasce aí a VPF (venda por fora) favorecida pelo tráfico.   

Nesse caso, o corretor mafioso quase sempre (80% das vezes) não informará nenhuma empresa em que trabalha, ou então, dirá a empresa que atualmente representa como forma de criar, momentaneamente, algum tipo de credibilidade. Conforme o avanço das negociações, informará a seu cliente que está saindo da tal empresa (é possível que fale mal dela) mencionada e que o negócio ocorrerá diretamente com ele. Argumentará ainda que a operação tornar-se-á mais barata, e é um fato, uma vez que o proprietário não precisará pagar uma imobiliária (empresa estabelecida) o que é de praxe. Enquanto isso, seu comparsa, o traficante informante, continuará a abastecê-lo com toda e qualquer informação que o ajude em seu objetivo de negócio.

Nesse momento, quero perguntar: como negociar com alguém que chega até você de forma escusa, do nada? O que esperar dessa pessoa?

O passo seguinte será a proposta de uma visita as cegas ao imóvel, ficando a dúvida sobre esse cliente ser de fato um comprador ou um ladrão. Parece algo pouco comum, mas não é. Existem quadrilhas especializadas em descobrir imóveis à venda, com o objetivo de vir a assaltá-los. Elas buscam, na maioria das vezes, imóveis que estejam ocupados, e para tanto elas buscam corretores.

Outra pergunta nasce: Será então que o cliente, apresentado por esse corretor mafioso, é mesmo um comprador? A insegurança “física” toma presença no negócio. É indiscutível a vulnerabilidade de tratar com um profissional não devidamente estabelecido. Outro fato que chamo a atenção, é que muitos desses que se dizem corretores, não o são. CUIDADO!


Sendo mais otimista, digamos que o cliente seja de fato um potencial comprador. O negócio então deverá ocorrer em um ambiente discreto, em geral uma sala ou apartamento, onde haverá a participação de um terceiro elemento, sendo este novo comparsa, um outro corretor, um advogado, ou um mero batedor de contrato com alguma expertise em direito imobiliário. Fica matematicamente claro que, provavelmente, no tráfico de mercadoria, haverá aquele que abastece, o receptor e o que operacionalmente executa, perfazendo o total de 3.

O tipo de aparelho (escritório) especializado nesse contexto, está quase sempre em regiões de fácil acesso (metrô) como Tijuca, Copacabana, Centro e atualmente o bairro da Barra da Tijuca, por conta de sua notória expansão nas duas últimas décadas.

Pode até ser, mas não pense que vai encontrar nada de muito luxuoso nesse tipo de escritório, pois os elementos que subsistem através desse procedimento, não constroem prosperidade em seu habitat.  Diga-se de passagem, a apresentação de algumas empresas e profissionais no setor imobiliário é algo que também compromete nossa atividade, mas isso é tema para outra matéria.

Qual o resultado final para o proprietário, nesse caso? Quando alguma coisa der errado, o escritório acaba, os corretores somem, e o prejuízo do proprietário, antes uma oportunidade de ganhos, entrará para a estatística de maus negócios imobiliários. O proprietário, agora uma vítima, falará mal dos Corretores de Imóveis, esquecendo que ele mesmo foi parte (causa) importante no ocorrido.

Ao receber uma ligação, investigue, busque saber quem é o indivíduo, onde trabalha, qual empresa ele representa, o que é essa empresa dentro da região em que atua, seu tempo no mercado, etc.  Hoje é muito fácil buscar informação e checar a veracidade delas.


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