A Quinta da Boa Vista, vivendo nos Quintos dos Infernos.

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A Quinta da Boa Vista, vivendo nos Quintos dos Infernos.

Equipe Miguez 05/02/2018 Compartilhar

A Quinta da Boa Vista, vivendo nos  Quintos dos Infernos.


Temos um dos maiores cartões postais do “mundo” sem o devido cuidado, e por consequência sem a devida valorização no quesito imobiliário. Falo da  Quinta da Boa Vista que  é historicamente importante para a cidade do RJ e sobretudo para história do Brasil (https://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta_da_Boa_Vista).

Abandonada desde sempre, palco de prostituição e venda de drogas a céu aberto, a Quinta, em seu nome abreviado, vulgarmente conhecida, tornou-se atrativa aos fins de semana apenas para a  população de baixa renda carioca que não encontra no local nenhuma infraestrutura que sugira o mínimo possível de “dignidade humana”.

Suja por completa, com lagos utilizado como piscinões, é uma cena de horror e pobreza a olhos nus para quem quiser constatar - “deprimente”.  Com seu zoológico moribundo,  a Quinta da Boa Vista,  ainda que linda por sua particular geografia e arquitetura secular derivada do Palácio Real da Casa de Bragança, hoje um museu depauperado, reflete se olhada de perto, um sentimento de absoluta penúria.

Uma localização  que deveria ser Rica & Famosa, é desconhecida e pouco visitada por turistas,  estes cada vez mais apavorados com a insegurança da Cidade e também pelo povo nativo que não se sente atraído em visitá-la.  Graças as  governanças criminosas dos políticos cariocas, a “Quinta”  tem em seu entorno, favelas abandonadas, quartéis desmantelados, todos viventes em  um bairro por completo afastado do progresso. É Importante frisar que a “Quinta da Boa Vista” está localizada em um bairro antiquíssimo (São Cristóvão), mas com sua história lusitana absolutamente esquecida.

O que afasta esse centenário bairro de seu irmão pródigo (Tijuca) é uma mortífera linha de trem que com seus preconceituosos trilhos da pobreza, ao longo do tempo apartou o RJ em todo seu itinerário dando a cidade ambientes socioeconômicos  distintos. A veracidade dos fatos é indiscutível, em direção ao bairro de Deodoro (subúrbio carioca), todo território que está ao lado esquerdo dos trilhos é muito mais valorizado do ponto de vista imobiliário.   

Como se não bastasse, nessa fronteira de  Tijuca & São Cristóvão,  passou a habitar por cerca de 30 anos, o maior reduto carioca de prostituição, a tradicional Vila Mimosa, antes residente no bairro do Estácio em limítrofe com a Praça da Bandeira, onde é hoje o centro de convenções Sul America. Hoje a Mimosa, colada a Quinta, abriga como dormitório muitas meninas de programa que perambulam entre dia e  noite na região que as provê. 

Na bastante frequenta Vila Mimosa, além da prostituição encontram-se outras formas de misérias todas acompanhadas de muita sujeira e muito mal cheiro o que caracteriza a certeza de uma cidade “jogada às traças”.  Esse trem de horrores impede por completo o progresso econômico e histórico do bairro de São Cristóvão.

Uma localização que pareceria estar pronta para decolar nos anos dourados do mercado imobiliário brasileiro (2008 a 2014), época em que sofreu o interesse positivo de construtoras que observaram no bairro extremamente “central” dentro da cidade do RJ, um incrível espaço a ser explorado.  Timidamente  estas verticalizaram algumas centenas de unidades mas  graças a economia dilacerada pela política dos “ Cabra(is), Lula(s), Pae(s), Pezõe(s),  e outros mais,  por necessidade frearam seus  investimentos.

Hoje com milhares de unidades vazias e também  ocupadas  disponíveis para venda e possíveis aluguéis, o RJ, do carnaval, praia, mulher bonita e cerveja gelada, tem que se reinventar através da alegre população, para buscar na lembrança a sua “internacionalidade ” vivida através do slogan de “Cidade Maravilhosa”,  conquistada e cantada na bela época carioca da década de 30, e depois eternizada pelas lembranças de Nonato Buzar & Chico Anísio em  impecável composição “Rio Antigo”,  que nos remete ao inimaginável se comparado a HOJE e a infinita  saudade do verso  “O Ontem no amanhã”.

Hoje a Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, assim como todo o RJ, vivem tristemente, sabe-se lá até  quando, no Quinto dos Infernos!!


Marco Miguez.

 

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