A história do bairro nobre da Tijuca

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A história do bairro nobre da Tijuca

Equipe Miguez 05/10/2017 Compartilhar

Nem Copacabana, nem Ipanema – para muita gente, a Tijuca é o mais carioca dos bairros. Com certeza é um dos mais nobres e antigos do Rio de Janeiro, com sua origem remetendo ao Brasil imperial e intimamente ligada ao próprio D. Pedro II. E não é à toa que o tijucano é apaixonado pelo seu bairro, além da aura que mescla elegância e modernidade, ele tem ainda a maior floresta urbana do mundo.

A Floresta da Tijuca:



A história de seu reflorestamento são um dos pontos mais interessantes do passado carioca, com lugar de destaque no presente como um verdadeiro pulmão da cidade. Morar na Tijuca é ter acesso ao que o Rio tem de mais charmoso, com ruas bucólicas e praças onde, há gerações, as crianças ainda podem sentir a terra sob seus pés e andar a cavalo. E viver assim tão pertinho da Floresta da Tijuca é um privilégio do qual nenhum tijucano quer abrir mão.


Tijuca - História do bairro

A história da Tijuca Rio de Janeiro e da Floresta da Tijuca se confundem. Ela começa logo depois do descobrimento, em 1565, quando a região onde hoje fica o bairro foi ocupada pelos jesuítas. Logo os padres construíram uma capela em homenagem a São Francisco Xavier, que acabou nomeando uma das maiores fazendas da Ordem.

A capela existe até hoje, linda e majestosa transformada em igreja na rua que leva o mesmo nome e abriga um dos pontos da Linha 1 do Metrô: a Igreja de São Francisco Xavier.

Pouco depois, em 1759, os jesuítas foram expulsos por ordem do Marquês de Pombal e a história do bairro começou a mudar. As então fazendas de cana-de-açúcar que pertenciam aos jesuítas passaram a outros donos e começaram a ser transformadas em chácaras, dando início ao processo de urbanização.

As áreas, que hoje são chamadas de subúrbios, começaram a abrigar a classe abastada do Rio de Janeiro, as elites que queriam distância dos conglomerados insalubres dos operários na parte central da cidade.


Floresta da Tijuca - História do seu reflorestamento

Foi justamente por volta dessa época, 1760, que o plantio do café começou a despontar com força na economia carioca, principalmente nas áreas mais altas da cidade. O solo nem seco nem encharcado e a temperatura amena dos morros do Maciço da Tijuca foi perfeito - até por conta da crença de que o café deveria ser plantado em mata virgem.

A cultura do café se alastrou de tal forma que causou um desmatamento imenso da floresta, chegando a afetar o suprimento de água da cidade como um todo.

A essa altura, D. Pedro II, que era um apaixonado pela natureza e um espírito à frente de seu tempo, encomendou um programa monumental de reflorestamento entre 1845 e 1848. O Major Manuel Gomes Archer, entusiasta da flora brasileira e proprietário de um sítio em Guaratiba com grande quantidade de mudas, foi encarregado pelo imperador para comandar o replantio de árvores.

Archer , já como administrador da Floresta da Tijuca, mudou-se para um sítio na área e deu início ao reflorestamento, que durou 13 anos com o replantio de 110 mil mudas trazidas de seu sítio em Guaratiba e de áreas próximas, como Paineiras e Jacarepaguá.

O programa de reflorestamento da Floresta da Tijuca incluiu ainda medidas estratégicas tomadas por D. Pedro II para assegurar a assertividade das ações.

Uma delas foi um esquema de desapropriações, que tiveram início em 1855, com a aquisição pelo Império de diversas propriedades próximas a mananciais e localizadas no alto dos cursos dos rios Comprido, Carioca e Maracanã.

O trabalho de replantio da Floresta da Tijuca, que começou com apenas seis escravos e, posteriormente, 22 trabalhadores assalariados, ocupa hoje uma área de 3.200 hectares, integrando o Parque Nacional da Tijuca, com o Maciço da Gávea e a Serra da Carioca.

O interessante é que, ainda hoje, é possível observar a forma como ocorreu o replantio: apenas os eucaliptos foram dispostos à margem dos caminhos, assim como pode-se observar uma certa preferência do Major Archer pelos cambucazeiros. As demais espécies não obedeceram a um plantio definido.
Floresta da Tijuca é recheada de referências históricas

Hoje a Floresta da Tijuca é famosa em todo o mundo e, apesar de ser um reduto dos moradores da Tijuca, é visitada por pessoas de todas as partes da cidade, do país e do mundo. A Praça Afonso Viseu, também conhecida como Praça do Alto e que fica localizada à frente da entrada principal da Floresta da Tijuca, ainda guarda o encanto e a nobreza de outras eras, mas é a partir de seus portões que um mundo de referências históricas se descortina aos mais de 3 milhões de visitantes por ano.


De senzala a restaurante: Floresta

Trilhas, mirantes, cascatas, áreas de lazer, capela e restaurantes fazem parte da Floresta da Tijuca, onde passado e presente convivem lado a lado. Um dos restaurantes, por exemplo, o Floresta, na Estrada do Pico, teria sido a senzala dos escravos que trabalharam no replantio – o próprio local foi o sítio para onde o Major Archer se mudou ao dar início ao reflorestamento. No lugar, hoje uma estátua presta homenagem aos escravos.

Apesar disso, o local não é o original. Na década de 40 o administrador da Floresta da Tijuca Castro Maya teria encontrado o lugar em ruínas e o demolido, construindo o restaurante com material de demolição. Já a casa onde ficaram os trabalhadores pagos, conhecida como Barracão, fica na Estrada do Imperador, construída no início do século XIX. No Barracão funciona hoje a sede administrativa do parque.


Uma joia cor de rosa encravada no bosque: Capela Mayrink

A Capela Mayrink é uma verdadeira relíquia encravada na floresta. Após a Cascatinha de Taunay, a 460 metros de altitude, uma singela construção cor de rosa se destaca no bosque. A capela foi erguida em louvor a Nossa Senhora de Belém em 1860, pelo Visconde de Souto, dez anos após comprar a então Fazenda Boa Vista.

Posteriormente vendida ao Conselheiro Mayrink em 1888, a capela foi incorporada ao Parque Nacional da Floresta da Tijuca em 1897, já como de Nossa Senhora da Conceição, quando a propriedade foi desapropriada pelo governo imperial.

Em 1938, após passar por nova reforma foi nomeada como de Nossa Senhora do Carmo. Os moradores do Alto da Boa Vista financiaram o adorno do altar com os painéis Nossa Senhora do Carmo, São João da Cruz e O Purgatório, obras de Cândido Portinari; os jardins, idealizados por Burle Marx, e, no pátio, a banheira de mármore carrara com frontispício em azulejos e bica em carranca.


Na Mata do Pai Ricardo o ciclo da natureza se completa

Em outra ponta da Floresta da Tijuca a Mata do Pai Ricardo é um trecho original e intocado da Mata Atlântica, que não pertence ao reflorestamento e é considerado um verdadeiro tesouro nacional. Lá, por exemplo, se encontra uma das maiores árvores do Rio de Janeiro, um jequitibá com 3,2 metros de diâmetro de tronco. Em 2013, quando ameaçou tombar, ela já tinha mais de 2 mil anos de idade, de acordo com os cientistas. Hoje seu tronco em decomposição colabora para o nascimento de outras árvores.

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